O Consumismo é o Inimigo da Natureza, segundo o Papa Francisco

Você vai falar de religião? Bem, essa não é nossa intenção. Mas não podemos fechar os olhos para a importância política que o Papa Francisco (e o Vaticano) vem assumindo nos últimos anos.  Em sua gestão, o Papa Francisco adota atitudes que viram notícia que repercute em todos os meios, inclusive no meio científico.

Na encíclica sobre o Cuidado da “Casa Comum”, o Papa Francisco detonou um estilo de vida baseado apenas no consumismo desenfreado, atribuindo-lhe a principal causa dos problemas ambientais nos últimos anos.

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A encíclica reúne vários argumentos bem fundamentados sobre como o homem moderno, especialmente o urbano, adota um modo de vida  incompatível com a preservação ambiental e de como vem rompendo cada vez mais com o altruísmo, com a vida em comunidade e com os valores que nos deixariam, em tese, mais humanos e menos consumistas.

Abaixo, relacionei algumas das colocações mais interessantes contidas na encíclica papal:

1) Toda a pretensão de cuidar e melhorar o mundo requer mudanças profundas nos estilos de vida e nos modelos de produção e de consumo.

2) Corrigir modelos de crescimento incapazes de garantir respeito ao meio ambiente.

3) União de toda a família humana na busca do desenvolvimento sustentável.

4) Numerosos estudos científicos indicam que na maior parte do aquecimento global é devida à alta da concentração dos gases estufa.

5) São louváveis e, às vezes, admiráveis os esforços dos cientistas que procuram dar solução aos problemas criados pelo ser humano. Mas, contemplando o mundo, damo-nos conta de que este nível de intervenção humana, muitas vezes, a serviço do sistema financeiro e do consumismo, faz com que esta terra onde vivemos se torne menos rica e bela, enquanto que ao mesmo tempo o desenvolvimento da tecnologia e das ofertas de consumo continua a avançar sem limites.

6) Propostas de Internacionalização da Amazônia só servem aos interesses econômicos das corporações internacionais.

7) É preocupante o desaparecimento dos ecossistemas constituídos por manguezais.

8) Não é conveniente para os habitantes deste planeta viver cada vez mais encobertos de cimento, asfalto, vidro e metais, privados do contato físico com a natureza.

9) As dinâmicas do “mass media” e do “mundo digital“, quando onipresentes, não favorecem o desenvolvimento de uma capacidade de viver com sabedoria, pensar em profundidade, amar com generosidade. Ao mesmo tempo, tendem a substituir as relações reais com os outros.

10) A deterioração ambiental afeta principalmente os mais pobres. Por exemplo, o esgotamento das reservas ictíicas prejudica especialmente as pessoas que vivem de pesca artesanal e que não possuem qualquer maneira de substitui-la. Os excluídos são a maioria do planeta, vários bilhões.

11) Culpar o incremento demográfico em vez do consumismo exacerbado e seletivo de alguns é uma forma de não enfrentar os problemas. Pretende-se legitimar o modelo distributivo atual.

12) A comida desperdiçada é como se fosse roubada da mesa do pobre.

13) Geralmente quando as multinacionais encerram suas atividades, deixam grandes danos humanos e ambientais, como o desemprego, aldeias sem vida, esgotamento de algumas reservas naturais, desflorestamento, empobrecimento agrícola e pecuária local, crateras, colinas devastadas, rios poluídos e algumas poucas obras sociais que já não se podem sustentar.

14) Preocupa a fraqueza da reação politica internacional. Há demasiados interesses particulares e, com muita facilidade, o interesse econômico chega a prevalecer sobre o bem comum e manipular informações para não ver afetados os seus projetos.

15) Cresceu a sensibilidade ecológica das populações, mas é ainda insuficiente para mudar os hábitos nocivos de consumo, que não parecem diminuir.

16) Hoje a Igreja (católica) não diz, de forma simplista, que as outras criaturas estão totalmente subordinadas ao bem do ser humano, como se não tivessem um valor em si mesmas e fosse possível dispor delas à nossa vontade.

17) Cada criatura possui a sua bondade e perfeição próprias. As diferentes criaturas, queridas pelo seu próprio ser, refletem, cada qual a seu modo, uma centelha da sabedoria e da bondade infinita de Deus.

18) Quando se propõe uma visão de natureza unicamente como objetivo de lucro e interesse, isso comporta graves consequências também para a sociedade.

19) O fato de insistir que na afirmação de que “o ser humano é a imagem de Deus” não deveria fazer-nos esquecer de que cada criatura tem uma função e nenhuma é supérflua.

20) É evidente a incoerência de quem luta contra o tráfico de animais em risco de extinção, mas fica completamente indiferente perante o tráfico de pessoas.

21) A indiferença ou a crueldade com as outras criaturas deste mundo sempre acabam de alguma forma por repercutir no tratamento que reservamos aos outros seres humanos.

22) Toda crueldade contra qualquer criatura é contrária à dignidade humana.

23) O meio ambiente é um bem coletivo, patrimônio de toda a humanidade e responsabilidade de todos nós.

24) A verdade é que o homem moderno não foi educado para o reto uso poder, porque o imenso crescimento tecnológico não foi acompanhado por um desenvolvimento do ser humano quanto à responsabilidade, aos valores, à consciência.

25) Tornou-se anticultural a escolha de um estilo de vida, cujos objetivos possam ser, pelo menos em parte, independentes da técnica, dos seus custos e do seu poder globalizante e massificador. O mercado, por si mesmo, não garante o desenvolvimento humano integral, nem a inclusão social.

26) Ninguém quer o regresso à Idade da Pedra, mas é indispensável abrandar a marcha para olhar a realidade de outra forma, recolher os avanços positivos e sustentáveis e ao mesmo tempo recuperar os valores e os grandes objetivos arrasados por um desenfreamento megalômano.

27) Renunciar a investir nas pessoas para se obter maior receita imediata é um péssimo negócio para a sociedade.

28) Não há sistemas que anulem por completo a abertura ao bem, a verdade e a beleza, nem a capacidade de reagir que Deus continua a animar no mais fundo de nossos corações.

Um Bjão

Tonon

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Seu Sanduíche de ATUM sob Ameaça!

atum

Você sabia que nesse exato momento, em praticamente todos os oceanos, está ocorrendo uma nova dinâmica dos seres aquáticos? Novas migrações, novas disputas, novas adaptações, enfim, como diria um amigo meu, uma nova “geopolítica dos bichos marinhos”

Tudo isso em função do aquecimento global, você sabia? Bem, a atividade fotossintética, realizada pelas algas que compõem o fitoplâncton, sequestra” cerca de 25% do CO2 (gás carbônico) emitido para a atmosfera. Mesmo assim, segundo estudos publicados pela Revista New Climate Change, a concentração de carbono na atmosfera esse ano excedeu 400 ppm, um record.

Assim, o aquecimento das águas oceânicas poderá estar provocando a extinção de muitas espécies de invertebrados e vertebrados marinhos e, ao mesmo tempo, migrações de várias espécies (economicamente exploradas) para águas mais distantes e adaptáveis. Desta forma, uma espécie que predominava em determinado ecossistema poderá deixar de ser “dominante”, pois terá que competir com espécies “estrangeiras” imigrantes.

Estudos indicam ainda que o aquecimento global pode provocar desaceleração do crescimento do fitoplâncton, base das cadeias alimentares oceânicas, consequentemente haverá menor biomassa disponível para os outros níveis tróficos, inclusive afetando o número de peixes e crustáceos economicamente importantes para a indústria pesqueira. SEU ATUM PODE ESTAR SE TORNANDO MENOS VIÁVEL ECONOMICAMENTE!!! Estima-se que no Brasil mais de 100 espécies de peixes marinhos encontram-se sob ameaça de extinção.

Saiba mais em: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2015/06/1638510-concentracao-de-carbono-na-atmosfera-pode-mudar-a-vida-marinha.shtml 

Um bjão

TONON

MEC- Autoriza Funcionamento de Curso de Medicina no Albert Einstein – São Paulo

Bem, é claro que você já deve ter ouvido falar da excelência do Hospital Albert Einstein que atende a parte mais abastada da população paulistana. Ocorre que o MEC-Ministério da Educação e Cultura- autorizou o funcionamento de um curso de Medicina pela gloriosa instituição. A princípio, seriam oferecidas 100 vagas para os vestibulandos que teriam que conquistá-las por meio das notas do ENEM.  Não foram divulgadas ainda informações sobre os valores das mensalidades, mas provavelmente serão picantes.

Recentemente, meus alunos do Colégio Presbiteriano Mackenzie participaram de um workshop no Einstein, realizado  para divulgar seus cursos aos vestibulandos interessados na área de saúde: fisioterapia, enfermagem, psicologia e medicina. Bem, o evento foi uma várzea: tumultuado, muita gente, improdutivo, desconfortável e desorganizado. Muitos desses alunos ficaram decepcionados com o evento, principalmente porque tiveram uma excelente experiência em evento parecido promovido pela Faculdade de Medicina da USP.

Claro que não podemos relacionar o workshop mal sucedido do Einstein ao curso que ele pretende gerenciar. Há todas as condições favoráveis para que a gloriosa instituição ministre um curso excelente, inclusive, além do próprio Einstein, os alunos poderão usufruir do Hospital M’Boi Mirim (público, mas gerenciado pelo Einstein) durante o processo de aprendizagem. Saiba mais lendo essa notícia: http://g1.globo.com/educacao/noticia/2015/07/mec-autoriza-hospital-albert-einstein-abrir-curso-de-medicina.html 

Então tá bom! Um bjão!